Data driven: Como usar dados para tomadas de decisão

Compartilhe:

A utilização de dados em larga escala para a tomada de decisão por parte de empresas é um dos temas mais relevantes hoje em dia, até regulado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Enquanto a legislação tem a responsabilidade de proteger a privacidade da pessoa física e seu comportamento, ela também permite que sua utilização seja regulamentada, evitando excessos e vazamentos. 

O Business Intelligence e as diferentes formas de fazer uso do chamado “novo petróleo” – ou seja, os dados disponíveis no ambiente virtual -, foi tema da conversa em um dos painéis abertos ao público externo no InovAtiva Experience 2021.2, durante o sábado, 4 de dezembro. 

Na ocasião, Joni Hoppen, Diretor de Expansão da Aquarela Analytics, e Michel Ávila, CEO da Neoway, falaram sobre o significado do termo em inglês “data driven”, que nada mais é do que ser movido por informação e racionalidade, tomar decisões com o pé no chão. 

Data Driven: um processo cultural

Joni Hoppen afirma que o Data Driven precisa ser desassociado da dependência da tecnologia. Sim, é claro que hoje temos disponível uma infinidade de dados no ambiente virtual, mas eles não necessariamente precisam ser tecnológicos. “Não se preocupe só com a tecnologia, mas tenha a capacidade de análise de significado”, diz. 

“O empreendedor não tem sempre as informações prontas para trabalhar, por isso é importante saber interpretar”, segundo Joni.

“Começar a viver nesta cultura significa tomar decisões baseadas em informação, em todo aspecto da vida. Se você está planejando ir a algum lugar, veja no GPS qual o horário que tem menos trânsito ou ocupação no seu destino, compartilhe isso com os outros”, demonstra. 

Michel também incrementa a discussão com uma provocação. “Basear suas decisões em dados tem a capacidade de te fazer lidar com seu próprio ego. Não tem mais como justificar uma escolha em intuição e preferências pessoais. Você pode ter muita experiência, mas os números precisam comprovar que está certo.”

O gargalo entre a tecnologia e a análise

Ambos os profissionais concordam que o mercado é carente de profissionais qualificados para analisar a imensa quantidade de dados disponíveis. “No quesito tecnologia estamos muito avançados, mas a maioria das empresas não sabem usá-los  para construir modelos preditivos”, diz Michel. 

Joni ainda demonstra que o tratamento de informações não é uma novidade. “Antigamente, quem as reunia eram as igrejas, depois os cartórios, agora foi para o digital, com o blockchain garantindo a segurança. Se você como empreendedor não entrar nessa onda vai sucumbir, porque tudo está se integrando a ela.”

Eles também concordam com o poder de transformação da sociedade que a utilização de dados proporciona em nível governamental, no sentido de tomada de decisão, construção de políticas públicas e transparência da gestão pública. 

Ciclo virtuoso para a utilização de dados dentro de uma empresa

Usando sua vasta experiência no assunto, Michel finaliza recomendando um passo-a-passo para quem quer começar a usar a cultura de dados em sua empresa. Antes de qualquer coisa, ele aconselha a começar pequeno e deixar projetos mais arrojados mais para frente:

1 – Tenha clareza no problema a ser resolvido;

2 – Procure a inteligência como serviço, em vez contratar um time pra fazer isso dentro de casa; 

3 – Menos é mais: prefira dados com qualidade, em vez de grandes quantidades de dados – eles podem fazer mais ruído do que utilidade; 

4 – Conecte este projeto a só uma aplicação prática da empresa (pode ser na área de negócios, compliance, pessoas ou financeiro), e depois expanda para outras áreas.