Desbravando espaços masculinos: conheça Caroline Nunes, CEO da Inspire IP

Compartilhe:

“Tão novinha e já CEO da própria startup… você tem idade para ser minha filha!” Este é um dos comentários mais recorrentes que Caroline Nunes, CEO da InspireIP recebe em sua trajetória empreendedora. Com 28 anos, a empresária se questiona se os homens em sua posição também lidam com essas observações nas suas interações profissionais. 

Caroline vive em uma área particularmente masculina do empreendedorismo: a da tecnologia de ponta. A Inspire IP trabalha com o recurso do Blockchain para o registro de propriedade intelectual online – o famoso NFT. Segundo ela, a esmagadora maioria das pessoas com quem interage no seu dia a dia são homens. “Agora temos uma programadora na nossa equipe. Mas, de uma equipe de oito desenvolvedores, todo o restante é formado por homens.”

Caroline Nunes, advogada especialista em propriedade intelectual

A profissional observa que é esperado desde a infância que mulheres sigam carreiras menos lógicas e nas áreas de humanas. Portanto, suas brincadeiras e, consequentemente, seu interesse não é estimulado para a área de tecnologia. 

Games e batalhas online

No entanto, sua infância foi um pouco diferente. Desde pequena era apaixonada por games e costumava travar batalhas online com seu irmão e seu pai. Inspirada por esse mundo, conta que todas as pessoas de seu círculo social mais próximo já esperavam que sua carreira seguisse  por este caminho.

Mas Caroline já lidava com esse tipo de estereótipo desde criança. “As meninas não participavam dos jogos que eu gostava, por isso sempre tive mais contato com os grupos de meninos. Elas estavam brincando de boneca e passando maquiagem, então eu não conseguia entrar no mesmo grupo. Hoje, vejo essa situação mudar aos poucos. Daqui a uma ou duas gerações talvez tenhamos mais igualdade no setor tecnológico”, diz. 

Como CEO da InspireIP, não é uma surpresa que a maioria de suas interações seja com homens. Em geral ela se sente respeitada em sua posição. Mas compartilha uma situação particularmente desagradável com um dos mentores que teve em sua trajetória: “o que você precisa é de um homem forte ao seu lado”. Será? 

Muito comum entre mulheres no âmbito profissional é a síndrome de impostora. E Caroline admite tê-la enfrentado com garra, principalmente no início de sua carreira. “Eu sentia que eu não deveria estar naquela posição. E as pessoas do meio não ajudavam. Quantas vezes me questionaram se eu era casada, se tinha filhos, quantos anos eu tinha. Não sei se essas são perguntas recorrentes por causa da minha idade ou  porque eu sou mulher.”

“Confie na sua ideia e nos seus instintos”

Mesmo que as pessoas ao seu redor soubessem sua inclinação tecnológica, Caroline conta que isso ainda era visto mais como um hobby do que uma aposta séria de carreira. Por isso, ela  dá um conselho valioso para suas colegas empreendedoras: “não peça a opinião de muitas pessoas que não são do ramo. Elas não vão entender e vão te desanimar. Confie na sua ideia e nos seus instintos.”

A insegurança do início fazia com que Caroline repetisse para si mesma a máxima “fake it ’till you make it”: em português, finja até chegar lá. “Se você quer chegar a uma posição de liderança, fundar sua própria empresa, não deixe a síndrome de impostora dominar. Mesmo que ainda não se sinta preparada, assuma a imagem que uma líder deve ter e a incorpore na sua personalidade. Você provavelmente já é esta pessoa, só ainda não sabe disso”, finaliza.