Dia dos professores: Conheça startups brasileiras que estão reinventando a educação

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Métodos de ensino à parte, existe um consenso entre cidadãos brasileiros: a relevância do investimento em educação e o papel central dos professores neste meio. Uma questão em comum que vem sendo discutida entre os profissionais da área é sobre a  melhor forma de alcançar a atenção e interesse dos alunos, trazendo as metodologias de educação para o século 21. 

“Há muito a ser explorado neste setor no Brasil. Precisamos observar o tradicional e reinventar um ambiente digital onde possamos proporcionar maior facilidade para o professor e capturar a atenção do aluno, e que está cada vez mais envolvido com a tecnologia”, diz Walter Junior, CEO da Inteceleri, edtech acelerada pelo InovAtiva Brasil no ciclo 2016.1. 

Cromopedagogia, neuroatividade e gamificação

A Inteceleri foi criada com objetivo de desenvolver soluções inovadoras que visam contribuir com o aumento da qualidade da educação básica no Brasil, em especial na disciplina de matemática. Em 2014, ela nasceu de um grupo de pais e professores que enfrentavam muitas dificuldades no ensino de exatas. 

Os empreendedores verificaram que este cenário também se refletia nacionalmente – apenas 15% dos alunos conseguem reter o aprendizado em matemática. “Diante desse quadro, fomos em busca de soluções inovadoras compatíveis com alunos do século 21. Criamos uma metodologia inédita, a Matematicando, que ensina operações básicas utilizando cromopedagogia, neuroatividade e gamificação, em um jogo educativo digital”, explica Walter. Em 8 meses, seu aplicativo atingiu mais de 100 mil downloads.

A dificuldade no ensino de matemática, muitas vezes, vem da necessidade de abstração do aluno em aplicar a teoria para absorvê-la. A startup se propõe a resolver este problema com a realidade virtual. “Imagine poder demonstrar ao aluno uma figura geométrica espacial a partir de uma comparação com uma torre famosa, aplicando a teoria à arquitetura”, conta Walter. 

Tecnologia ajudando a escrever melhor

Recursos tecnológicos não são úteis somente no campo das exatas, como demonstra Simone Oliveira, CPO da GoMining, acelerada pelo InovAtiva Brasil no ciclo 2020.1. A profissional é responsável por toda a parte pedagógica da startup e usa sua bagagem acadêmica com seus dois sócios para desenvolver um software que pudesse ajudar na qualificação da escrita dos estudantes. 

“Não existe inteligência artificial sem inteligência humana”, afirma Simone. O trabalho da startup é definir parâmetros e estratégias junto às instituições de ensino para que o sistema seja capaz de corrigir uma redação adequadamente. 

De olho nos professores e no cotidiano do usuário

Ambas as startups oferecem um curso preparatório para que os professores consigam utilizar suas soluções da melhor forma. “Nós acompanhamos os professores, ajudamos a construir as atividades das disciplinas para que passem pela correção automática.  Não é qualquer disciplina que pode passar por isso automaticamente, muitas vezes ela precisa ser preparada, parametrizada e alimentada continuamente”, conta Simone. 

Segundo a profissional, este é um dos maiores diferenciais da startup: o relacionamento próximo e a parceria com seus clientes. “Este trabalho de integração do software às instituições não acontece sozinho. Pelo contrário, depende do trabalho em equipe para que consigamos chegar aos resultados esperados.”

Walter compartilha um projeto desenvolvido pela Inteceleri: o Edutec Amazon. Nele, segundo o profissional, existe a necessidade de uma trajetória de transformação digital, por parte do professor, para que ele possa usufruir do produto. “A execução do projeto dura de 8 a 10 meses, e o professor recebe uma formação continuada na qual ele aprende quatro formas de ensinar a matemática básica, tem um aumento da proficiência tecnológica. Tudo para que o aluno receba da forma mais simples e temos percebido ótimos resultados!”

Inteligência artificial para personalizar estudos

Simone concorda que as edtechs têm possibilidade de crescimento intenso no país.  “Podemos ser inovadores de muitas formas. É possível construir um currículo flexível que acompanhe a trajetória do aluno, que indique, por meio de inteligência artificial, os cursos que ele pode fazer conforme as suas competências desenvolvidas, seus gostos pessoais. Assim, o próprio aluno pode estruturar sua trajetória e se organizar a partir do apoio dessa tecnologia.” 

Pesquisador desde 2012, Walter define o campo da educação como um ambiente ainda muito tradicional. “Desde a minha graduação, depois no mestrado e doutorado, já havíamos percebido um movimento no mundo inteiro do desenvolvimento de tecnologia para a educação. Essa é uma preocupação mundial. E tem muita coisa a ser explorada: temos um oceano azul pela frente”, diz. Segundo o profissional, é imprescindível se atentar ao fato da educação ser algo muito personalizável: “o que é sucesso nos Estados Unidos, não necessariamente será aqui. O que dá certo em São Paulo, pode não dar no Rio de Janeiro, ou em Belém. Temos culturas muito diferentes”, conclui.