Feito por mulheres, para mulheres: conheça a Oncotag, healthtech especializada na saúde da mulher

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Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), aproximadamente cerca de 15% das startups brasileiras são fundadas por mulheres. Dentro desse número, existe uma classificação que só elas poderiam criar: as Femtechs – aquelas que atendem exclusivamente o público feminino. 

Bióloga de formação, Letícia Braga decidiu empreender para atender um grupo de mulheres que ainda recebe pouca atenção da indústria farmacêutica tradicional. Com um número menor de casos porém com  alta taxa de mortalidade, o câncer de ovário e do trato ginecológico recebem sua atenção desde seu doutorado como pesquisadora na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Letícia, desde o início interessada na área da genética da oncologia, fez seu pós-doutorado em ciências da computação e criou um algoritmo capaz de utilizar dados para predizer qual a reação de um paciente a um determinado tratamento. Com a faca e o queijo na mão, decidiu fundar a Oncotag

A startup já está testando sua solução em parceria com o Hospital Albert Einstein em São Paulo e planeja trabalhar com centros especializados em medicina diagnóstica para melhorar a qualidade de vida dessas pacientes que desenvolvem tumores agressivos no trato ginecológico. 

“A quimioterapia é um tratamento extremamente severo e cada paciente tem sua especificidade. Não é todo mundo que vai apresentar a mesma reação. Fazendo uma análise prévia de sua genética, é possível desenvolver melhores estratégias para cada pessoa individualmente”, explica Letícia. 

Hoje, a Oncotag é formada por três mulheres empreendedoras: duas biólogas e uma médica oncologista. “É interessante que tivemos o prazer de conhecer profissionais – homens, porque o mercado ainda é dominado por eles – que nos estimularam a empreender. Nós estávamos satisfeitas fazendo ciência. Mas foi principalmente o Eduardo Emrich, presidente da Fundação Biominas, nosso grande mentor. Ele plantou a sementinha para que nós fundássemos a startup, registrássemos uma patente e participássemos do InovAtiva Brasil.”

Seu algoritmo pode ser aplicado para qualquer tipo de tumor, mas a decisão por atender pacientes não tão contemplados pela indústria farmacêutica tradicional veio do propósito e de suas raízes como cientista. Letícia explica que sua startup é formada por um grupo de pesquisadoras que a vida inteira trabalhou com pesquisa financiada por dinheiro público. Por isso, acreditam que é sua responsabilidade retornar o conhecimento para a sociedade que as apoiou por toda sua jornada. 

“A diferença entre empreender e fazer ciência é que como pesquisadoras, nós discutimos um problema. E, enquanto empreendedoras, discutimos a solução para ele. Mas a prática tem sido muito parecida para mim. No entanto, o dia a dia do cientista é muito solitário – sou eu na minha bancada. Só conseguimos transformar nossa pesquisa em um produto quando articulamos nosso conhecimento com outras áreas e profissionais”, conta Letícia.  

Ela  defende que fomentar o empreendedorismo feminino é fundamental para aumentar o leque de possibilidades para as mulheres que já representam a grande maioria nas universidades. “Quando eu saí da graduação, ninguém me falava de diferentes oportunidades. A partir do momento em que mais mulheres começam a se expor e entrar no mercado como CEOs, as mais jovens podem ter alguém para se espelhar. É importante mostrar para elas que existe uma luz além da universidade e concurso público”, finaliza. 

Participação das mulheres no InovAtiva

Desde 2014, já foram cerca de 568 mulheres empreendedoras aprovadas nos programas do InovAtiva, porém isso representa apenas 18,1% do total de aprovados. Assim, o objetivo do hub é incentivar cada vez mais a participação de empreendedoras e startups lideradas por mulheres, como é o caso da Oncotag, acelerada pelo InovAtiva no Ciclo 2016.1 do InovAtiva Brasil.