InovAtiva Day: conheça a história da Rocket.chat, startup brasileira presente em mais de 170 países

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“Ao longo de uma noite em claro, regada a Red Bull e pizza”. É assim que o CEO e fundador da Rocket.chat, Gabriel Engel, descreve o início de sua empreitada empreendedora durante o painel de abertura do InovAtiva Day, evento organizado pelo InovAtiva, que aconteceu no último dia 19. Dando, assim, origem ao aplicativo multiplataforma de código aberto de comunicação corporativa que tem feito sucesso nos quatro cantos do mundo, marcado pela ideia da colaboração em todas as suas etapas de crescimento.

O projeto nasceu com a simples concepção de que “a comunicação só funciona quando todos podem acessar a todos em uma só plataforma”, conta Gabriel em sua apresentação, referindo-se ao diálogo entre empresa e clientes, mas também entre funcionários dentro de uma organização.

“Estávamos tão entusiasmados com essa ideia, que decidimos torná-la de código aberto. Publicamos a fonte do programa da internet para que qualquer pessoa pudesse baixar, alterar e nos ajudar a construir. Com essa contribuição de desenvolvedores ao redor do mundo, almejamos criar uma plataforma melhor do que poderíamos criar sozinhos. Mas, nunca poderíamos imaginar o que aconteceu depois. Em pouco mais de 24 horas, alguém publicou nosso código na Hacker News, um agregador de notícias da Y Combinator, uma das maiores incubadoras do mundo. Quando a gente viu, começamos a ter mais de 30 mil pageviews de uma hora para outra”, compartilha Gabriel.

A partir daí, o projeto ficou cada vez mais conhecido nos círculos de desenvolvedores, justamente pela característica do código aberto, e o fundador começou a ser convidado para apresentar seu trabalho em fóruns internacionais. Foi assim que Gabriel fez conexões valiosas para pedir conselhos de empreendedores de sucesso internacional e então fazer crescer seu negócio.

Uma das suas primeiras conexões foi um dos fundadores do Git Hub, para quem Gabriel já tinha uma lista de perguntas, no caso de conhecê-lo. Segundo ele, a principal foi como era seu processo de tomada de decisões. A resposta: “tento sempre maximizar o quão interessante será minha vida depois de cada decisão.” Este conselho foi levado a sério e pautou a jornada do empreendedor com sua empresa.

Uma das principais dúvidas dele era como monetizar um produto gratuito e de código aberto, característica que não queria deixar de lado. “Chegamos a um ponto que começamos a perder dinheiro, mesmo com cada vez mais pessoas utilizando a plataforma”, compartilha. Neste momento, a própria comunidade de usuários começou uma “vaquinha” de doações para que a Rocket.chat pudesse continuar. “Foi aí, que percebemos que estávamos fazendo a coisa certa”, diz.

O produto continuou chamando a atenção da comunidade até que um grande investidor, Harry Weller, entrou em contato com Gabriel, interessado em investir na Rocket.chat. “O cara era uma lenda. Infelizmente, fomos seu último investimento, porque ele faleceu logo depois”. O aporte financeiro que receberam garantiu que o trabalho continuasse e que eles pudessem, de fato, criar um mecanismo para monetizar o produto sem perder a característica essencial do compartilhamento com desenvolvedores ao redor do mundo.

“O código aberto funciona como nosso topo do funil. Ele é gratuito, um monte de gente pode usar, mas a partir daí o usuário tem acesso ao nosso marketplace, onde tem novas funcionalidades gratuitas e pagas. Então, aquele usuário que mesmo que está hoje usando o serviço de graça, às vezes, decide que precisa de mais segurança ou mais suporte e opta por comprar a versão Bronze, Silver ou Gold do nosso chat ou Pro Enterprise do nosso que é o produto instalado do teu próprio computador ou servidor”, explica Gabriel.

A Rocket.Chat atualmente

Hoje, a Rocket.chat tem um time de mais de cem pessoas espalhadas pelo mundo: “toda hora tem alguém acordado em algum lugar”, brinca. Apesar do trabalho remoto devido não só à distância, mas também à pandemia da Covid-19, o CEO ainda defende o quão importante é o contato presencial dos funcionários de uma empresa.

“As pessoas sempre trabalham melhor depois que elas se conhecem. As companhias precisam investir em criar situações nas quais as pessoas possam, um dia, sair para tomar uma cerveja, jantar, fazer uma aventura e se conhecer. Nos encontramos pelo menos uma vez por ano.”  E ela continua crescendo. Hoje, com quase quinze milhões de usuários registrados, quase um milhão de servidores instalados no mundo, as perspectivas só aumentam para o futuro.

Gabriel aconselha novos empreendedores a pensar em modelos de negócios diferentes e não terem medo de arriscar. “Na medida do possível já comece pensando em nível global. Muitas vezes, pelo Brasil ser um país tão grande, as pessoas ficam acomodadas e pensam somente no mercado nacional. Mas a única forma de crescer é já iniciar o planejamento com a concepção de atuar internacionalmente”, finaliza.

 

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