InovAtiva Day | O que não fazer em busca de investimentos e parcerias

Compartilhe:

A busca ativa por investimentos e parcerias com grandes empresas é parte intrínseca da jornada empreendedora e as dificuldades encontradas pelo caminho são comuns a grande parte dos novos empreendedores. Entretanto, acompanhando os painéis de negócios oferecidos na segunda edição do InovAtiva Day, em 9 de outubro de 2021, foi possível reconhecer o outro lado dessa moeda e identificar nossos erros pelo caminho. 

Para compreender o lado oposto destas relações, ouvimos as perspectivas de profissionais experientes durante o evento, no período das 10h às 12h. 

O painel 1: Opções de investimentos em startups: oportunidades e cenários, foi apresentado por Guilherme Enck e Carolina E. Cassel, cofundador e Head de Investimentos da Captable e por Serginho Finger, CEO da Trashin, startup acelerada pelo InovAtiva Brasil. 

Em seguida, Andrei Golfeto, profissional de New Ventures no iFood, apresentou o painel 2: Dicas práticas para se conectar com grandes empresas

Confira alguns equívocos comuns dos empreendedores no contato com esses players:

Menosprezar o valor dos relacionamentos

É uma posição recorrente de investidores e profissionais de grandes corporações que o fator mais observado por eles, na hora de fazer um negócio com uma startup é o próprio empreendedor. Por isso, todos os painelistas concordam que é imprescindível a criação de um relacionamento prévio entre quem busca o investimento ou parceria e os profissionais que podem ajudá-los. 

“Não espere precisar de dinheiro”, é o conselho de Carolina Cassel, head de investimentos da Captable. “É uma situação muito comum o empreendedor entrar em contato conosco já desesperado precisando de aporte financeiro. Nós buscamos acompanhar o desenvolvimento da startup, a maturidade dos profissionais, as perspectivas para o futuro. Não é de um dia para o outro que o investimento vai acontecer”, diz. 

Por isso, sua dica essencial é conhecer investidores com antecedência e enviar relatórios com métricas de crescimento mensal ou trimestral. Isso vai preparar o terreno para um futuro investimento. 

Despreparo e falta de informação

O pitch “pé na porta” é uma parte importante do processo, mas não a única. Tanto investidores quanto profissionais de grandes empresas em busca de parcerias, tomam decisões de forma analítica, com base em dados e informações concretas. 

Andrei Golfeto, o líder deste segmento no iFood, compartilha a sua necessidade de contar com dados de crescimento concretos quando avalia a possibilidade de fazer uma parceria com alguma startup e também reforça a relevância da análise a longo prazo. “Não existe credibilidade maior do que resultados demonstrados em relatórios,  clientes e crescimento”, afirma. 

Outra dica do profissional é conhecer a corporação com a qual se almeja uma parceria. “Dado o contexto do seu negócio, seu produto e público, faça uma lista de companhias que fazem sentido para você. Avalie se ela pode efetivamente ajudar ou não.” 

Segundo Andrei, a grande empresa pode ser um canal de aquisição de clientes importante, pode ajudar a criar novos produtos e acessar novos mercados, devido à sua estrutura mais “parruda”. Entretanto, ele alerta: “Se você ainda não tem um produto bem estruturado, às vezes essa tentativa de relacionamento pode queimar seu filme.”

Não saber como e com quem se comunicar

Além de compreender quais são as corporações adequadas para tentar parcerias, Andrei também reforça a necessidade de saber qual o profissional que o empreendedor deve entrar em contato. “Não adianta disparar e-mail para todo mundo que trabalha dentro do iFood, por exemplo. Temos uma divisão focada em parcerias, é conosco que se deve falar.”

Outra questão importante é o canal de comunicação. O profissional compreende que o e-mail é um espaço muito disputado, e difícil de chamar a atenção. Entretanto, também considera o contato por aplicativos de mensagens um tanto invasivo. “Tem gente que manda só ‘oi, boa tarde’. É necessário se apresentar, eu não tenho como saber quem é do outro lado”, conta. 

Segundo ele, a única exceção para este tipo de abordagem é quando algum conhecido compartilha seu contato. “Neste caso, tudo bem. Se apresente, fale quem te mandou meu número de telefone e seja educado”, aconselha. Para Andrei, o canal mais apropriado atualmente é o LinkedIn. Lá, é possível se conectar, mandar mensagens, e o profissional do outro lado consegue saber quem você é pelo próprio perfil.

Algumas dicas finais

Andrei finaliza sua exposição com algumas dicas importantes.

Primeiro, tenha uma frente de relações públicas para facilitar o contato com grandes empresas. Participe de eventos e seja especialista na sua área de atuação. “Você precisa aparecer no setor em que está trabalhando”, diz. 

Além disso, seja claro, transmita confiança, saiba a forma adequada de compartilhar cada informação, tenha empatia e habilidade em se comunicar, se prepare para as reuniões e coloque um período de teste na sua proposta de parceria: assim, a empresa se sentirá mais confortável em fechar um negócio inicial.