Nohs Somos: conheça a história da startup voltada para o público LGBTI+

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Em memória à rebelião de Stonewall em 1969, Junho é celebrado mundialmente como o mês de #Orgulho LGBTI+. A série de manifestações espontâneas, em reação a uma batida policial na manhã de 28 de junho de 1969 no bar Stonewall Inn, em Nova York, passaram a ser  um marco na história da luta pelos direitos LGBTI: um esforço constante da comunidade. 

“Quando se pretende fazer uma mudança estrutural na sociedade, um dos grandes eixos a se explorar é a economia”, diz Hottmar Loch, ativista LGBTI e CEO da Nohs Somos, startup de impacto acelerada pelo InovAtiva Brasil e pelo InovAtiva de Impacto em 2020. O especialista em Diversidade e Inclusão (D&I) conta que, a partir de reuniões compostas por mais de 150 pessoas durante a concepção do projeto, foi possível identificar uma demanda enorme pela aproximação de lugares amigáveis ao público LGBTI+.

O Design Thinking foi a abordagem utilizada pelos empreendedores para compreender qual era a dor da LGBTIfobia. “A partir dessas reuniões começamos a entender a interseccionalidade e os diferentes marcadores sociais, porque cada grupo dentro da comunidade LGBTI+ tem suas dores específicas. Percebemos que poderíamos usar a tecnologia como ferramenta de combate a este problema e construímos um mapa para organizar os dados que recebemos”, diz. Desde então, mais pessoas começaram a se engajar no projeto, que virou um coletivo. 

“Existem muitas pessoas que são expulsas de estabelecimentos, mulheres trans que não podem usar banheiros, consumidores mal encarados, que não são bem recebidos. É comum acontecer do garçom atender as mesas ao lado, mas não a sua”, Hottmar compartilha, sobre a importância de mapear lugares seguros para o público. “A realidade do mau atendimento, preconceito e discriminação à comunidade LGBTI+ não é exclusiva do Brasil, é uma questão mundial. Nos Estados Unidos, essa demanda já existe há cerca de dez anos e é um nicho de mercado que fatura US$ 1 trilhão ao ano”, diz.

A solução da Nohs Somos é totalmente colaborativa. “Nós respiramos a cocriação desde o lançamento. Qualquer pessoa pode acessar a plataforma de qualquer lugar do mundo. Usamos a Interface de Programação de Aplicativos (API) do Google, então o usuário pode pesquisar diretamente pelo nome do estabelecimento e ele já aparece direto na plataforma. Depois, os dados são cruzados de acordo com nosso cadastro anterior. Assim, conseguimos estabelecer a Nohs Somos como o primeiro Big Data LGBTI do país. Nossa plataforma também é gamificada: ao acessar, avaliar, comentar e indicar negócios amigáveis, as pessoas ganham pontos, que podem ser trocados por parceiros”, explica Hottmar. 

Como um negócio de impacto, o objetivo central da empresa não é o lucro. “Por isso, não temos acionistas. Assim, não ficamos reféns do mercado”, diz o CEO, comemorando que já atuam em mais de 600 cidades e possuem cerca de 3500 cadastros, e pretendem, até o fim do ano, impactar 15 mil pessoas viralizando a plataforma. Para atingir esta meta, a startup vem preparando novidades para o público: um aplicativo para dispositivos móveis e um market place estão em desenvolvimento. 

“O que estamos construindo é a prevenção. Trabalhamos para identificar aqueles lugares que fazem sentido de acordo com nossos valores: estabelecimentos transamigues, anti-racistas, amigáveis para o público LGBTI+ e para mulheres cis e trans. Estes são lugares seguros, que prestem bom atendimento e recebam público respeitoso para que todos possam acessar, comprar e se sentir acolhidos”, conclui.