O que é, afinal de contas, Open Innovation?

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Open Innovation… tenho certeza de que você, caro empreendedor, já ouviu falar sobre esse termo em algum momento nos últimos anos, certo?! Pois bem! Como aqui no InovAtiva nosso papel é ajudar e fomentar conexões e conhecimentos, batemos um papo com Demian Talil, Mentor InovAtiva, sobre esse conceito que ganha cada vez mais destaque nas mesas de negociações mundo afora.

Demian é formado em Engenharia Mecatrônica, onde teve seu primeiro contato com o mundo do empreendedorismo, fundando a Empresa Júnior de Engenharia, na PUC/MG. Contabiliza também passagem pela EMBRAER, fundou a Explore Viagens, entre outras experiências. Já nessa época, Demian era abordado para contar sobre sua coragem de sair do mundo corporativo e empreender. Atualmente, Demian é CEO da FCJ, um dos maiores grupos de venture building do Brasil.

“Uma das coisas que sempre falava nessa época é que se você quer empreender, pense que você não vai fazer apenas aquilo que você gosta. Você precisará cuidar da parte financeira, departamento pessoal, entre outros departamentos. Com isso eu acabava dando um, vamos dizer assim, banho de água fria. Na verdade, minha intenção era mais dar um banho de realidade, para que a pessoa tivesse uma visão real daquilo onde iria entrar”, explica. 

Demian Talil, CEO da FCJ e Mentor InovAtiva (Foto: Divulgação)

 

Em linhas gerais, Open Innovation significa a mudança nas formas de desenvolver ideias e soluções dentro de grandes empresas. Segundo Talil, Inovação Aberta tem ligação com buscar soluções ‘fora de casa’, ou seja, pensar fora da caixa usando recursos que não estejam, necessariamente, dentro da própria empresa. 

“Um dos pontos interessantes é observar que inovação aberta pode ir muito além de envolver outras pessoas e empresas na solução de problemas. Hoje vemos muitas empresas que abrem hackathons para envolver o próprio cliente nesses processos. Ou seja, você consegue buscar na fonte as necessidades de cada consumidor”, comenta.

Demian também comenta que a aplicação da Inovação Aberta pode ser um bom caminho para a geração de novos negócios, com uma redução de risco. Isso porque nesse processo é possível criar um funil de relacionamento com diferentes iniciativas inovadoras, onde é possível observar quais serão as melhores oportunidades geradas e quais mereçam mais investimentos e atenção.

Outro ponto interessante é que quando se fala de Inovação Aberta no que tange a contratar empresas/startups, muitas vezes você é um dos primeiros clientes ou ainda o ‘cliente beta’, ou seja, aquele que valida o produto/serviço. Dessa forma, a startup dedicará atenção total às suas necessidades e demandas, além de estarem abertas a adaptar os produtos. Melhor dizendo, há uma real integração entre ambas as partes, gerando resultados muito mais relevantes.

Portanto, pensando sobre quais os benefícios de uma empresa apostar em Open Innovation, podemos listar o fortalecimento de estratégias corporativas, principalmente para aquelas que estão em processo de transformação digital; identificação de novas tendências tecnológicas; ampliação da cadeia de valor; entre diversos outros aspectos que podem ser otimizados.

“Atuando diariamente nessa linha de frente de conectar startups e empresas, gerando a aplicação eficiente do Open Innovation, notei que muitas companhias chegam a nós falando que querem muito entrar nesse universo, mas não estão sequer preparadas para isso. Por isso é importante destacar que se você é incapaz de acolher ideias do seu próprio time, todo o processo será mais doloroso. Mesmo que seja não estruturado, a empresa precisa ter já um mindset de aceitação de novas propostas”, conta Demian.

O mentor também destaca que quando uma empresa decide, de fato, apostar em Inovação Aberta ela precisa ter claro que busca novos negócios, mudar a mentalidade de toda a sua equipe, exercitar a adoção de novas práticas, fazer sua promoção, no sentido de se ‘mostrar para o mundo’ como uma empresa diferenciada e desenvolver melhor as áreas de P&D.

Vale salientar também que Inovação Aberta não se trata de um processo de compra e venda. Trata-se de uma integração forte entre as empresas na criação e desenvolvimento de produtos/serviços para problemas reais. Além disso, muitas empresas aplicam esses processos para atrair e identificar novos talentos no mundo tecnológico.

O importante é que todos os envolvidos nesse processo entendam que não há uma receita de bolo. É preciso ser aberto, testar, errar… enfim, fazer com que novas ideias façam parte da cultura da empresa, envolvendo todos os níveis hierárquicos da companhia. Daí a importância de, antes de qualquer passo, passar a aceitar as novas propostas internas e só depois abrir as portas para startups e suas novas ideias.

Além dos pontos citados, a Inovação Aberta proporciona também formas de promover sua marca, destacando sua empresa como inovadora, aberta aos diálogos, a ouvir a opinião de seus clientes e, claro, isso pode corroborar para um posicionamento estratégico junto a diferentes stakeholders, incluindo a grande mídia.

Por fim, Demian dá uma dica para quem ainda não começou seu processo de Open Innovation. “Pegue um fornecedor que você já tenha bom relacionamento, explique que deseja alterar algum produto/serviço e abra suas ideias. Pergunte suas opiniões, contrate um mediador para conduzir esse processo se achar necessário. Quando esses fornecedores perceberem que você está aberto às novas ideias, com certeza desejarão se integrar e desenvolver novos produtos”.