Por que startups falham?

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A conversa sobre empreendedorismo é repleta de cases de sucesso e de histórias inspiradoras. Tudo começa com uma ideia, um sonho, que é construído com muita coragem e trabalho duro. Mas colocar o pé no chão e compreender que o caminho nem sempre é um mar de rosas é muito importante.

Para trazer alguns exemplos do que não fazer na sua jornada, contamos com três empreendedores que participaram da última edição do InovAtiva Experience, no dia 7 de agosto de 2021: Paula Freitas, executiva chefe do Instituto INNER, Leonardo Gmeiner, CEO da School Guardian e Leonardo Alves, CEO da Moov.

Conheça algumas das dicas mais importantes oferecidas por eles no evento:

Propósito na prática

Paula Freitas já se entendia como empreendedora desde seus 10 anos, quando vendia bijuterias na porta da igreja e mobilizou o resto de sua família a ajudá-la na empreitada. Depois de alguns pequenos negócios, conseguiu uma sócia e criou uma empresa na área da estética, que chegou a ter nove unidades em Brasília.

“A empresa estava crescendo, mas chegou uma hora que bateu estresse, cansaço, aquele desespero e a empresa foi ladeira abaixo. Além de eu não conseguir sustentar este negócio que, até então, era lucrativo, porque eu não tinha as características de uma empresária na área de estética”, conta. Paula é formada em engenharia e também na área de saúde e segurança do trabalho e compartilha o prejuízo que arcou: “lidei com processo trabalhista, dívida bancária, meu CNPJ foi para o ralo.”

A profissional explica que só começou a ter sucesso real quando alinhou seus valores pessoais com seu espírito empreendedor. “Se você está inovando mas em algo que não faz seu coração vibrar, vai chegar um momento que também vai quebrar”, alerta.

Faça sua lição de casa

Planejamento e organização são essenciais para o processo. Leonardo Gmeiner confessa que tem um perfil impulsivo, responsável por muitos de seus percalços. Formado em jornalismo, tinha uma empresa de comunicação corporativa e a sua esposa, outra empresa da mesma área, quando decidiram juntar os dois empreendimentos.

“Já começamos errando porque, na hora de juntar as duas operações, compramos a participação da sócia dela. Foi a primeira besteira que fizemos: comprar sem analisar e entender o valor daquilo – chamado ‘due diligence’. O resultado foi uma dívida no valor de um bom apartamento.”

Não perca o foco

Leonardo conta sobre seu trabalho na época em que os smartphones começaram a se popularizar e seus clientes estavam interessados em desenvolvedores para aplicativos. “Ao invés de indicar um profissional, eu pensei em encontrar alguém da área para ser meu sócio. Neste momento, me apaixonei pela tecnologia e pela dinamicidade da área, e deixei meu trabalho de lado”, diz.

Seu papel na empresa era de relacionamento e de prospecção de novos clientes. “O novo negócio começou a crescer e, o outro, a degringolar. Começamos a perder clientes, e com o tempo, quebramos.”

“Uma grande vantagem na nova empresa é que eu não conseguia fazer o trabalho de desenvolvimento, então fui obrigado a dividir as tarefas com meu sócio”, conta, sobre a importância de focar na sua atividade e não se deixar distrair.

Não misture suas finanças

“Um erro muito comum, principalmente quando o negócio é gerenciado por famílias, como era meu caso, é que nossas contas, da empresa e domésticas, eram uma bagunça. Fazíamos tudo ‘junto e misturado’. Comprávamos coisas para a casa com o cartão da empresa, depois ficava uma ‘zona’ na contabilidade”, alerta o empreendedor.

Com a separação das empresas e, agora, trabalhando com um sócio fora da família, Leonardo reconhece que a organização facilitou sua vida financeira e fiscal.

Experiência e paciência não se dispensam

“Agora, sim, vou ficar rico!”, foi a exclamação recorrente de Leonardo Alves em sua jornada com seu aplicativo de relacionamento às cegas, desenvolvido ainda durante a graduação. Mas, não foi bem assim.

Em uma fala descontraída, o empreendedor se compara a Steve Jobs, Bill Gates e Mark Zuckerberg. “Assim como eu, esses ícones desistiram da faculdade para alcançar seus objetivos. Só que, no meu caso, não deu muito certo.”

Após apresentar a versão prévia do aplicativo em um evento, a equipe já teve dificuldades em construir o produto final. Ainda no curso de graduação e também trabalhando em diferentes empresas, o processo durou meses. “Estávamos em uma relação de amor com o produto e a empresa. Estava tudo dando certo, até que acabou o dinheiro e não conseguimos mais focar no desenvolvimento e em anúncios.”

“Nos faltava experiência em várias questões, como gestão, desenvolvimento e também como lidar com o crescimento e escalonamento. Como a empresa começou a crescer, tivemos sérias dificuldades”, conclui o empreendedor.