Série Conexão | Conexão com Grandes Empresas

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Empreendedorismo é resultado de boas ideias, inovação, solução de problemas, trabalho duro e, essencialmente, conexão: um dos pilares do InovAtiva. Para honrar sua importância, o Blog InovAtiva inaugura a Série Conexão.

Este é o terceiro, e último, conteúdo da série “Conexão com Grandes Empresas”. Foi inspirado no painel apresentado no InovAtiva Experience 2021.1, em 7 de agosto, que proporcionou um bate-papo honesto entre profissionais que se debruçam neste tema, complementado com perguntas da audiência.

Receptividade para inovação

A conversa foi iniciada por Marina Almeida, da Natura&Co, responsável pelo departamento de inovação e conexão com startups da Natura. Marina falou sobre inteligência coletiva e como a empresa construiu um espaço para que os novos empreendedores pudessem fazer parte de nosso ecossistema. “Fazemos uma busca ativa mas também temos um portal aberto, além de chamadas de inovação. Somos gigantes, então também temos grande responsabilidade. Estamos trabalhando para trazer a lógica ESG de uma forma estrutural dentro da Natura startups, para ela fazer cada vez mais parte do mundo empreendedor.”

“Se eu fosse uma startup, falar com a Natura é a primeira coisa que eu faria”, ressalta  Rodolfo Zhouri, Sócio na eMotion Studios. “Empresas como a Natura estão prontas para conversar com startups, mas isso é ínfimo perto do mercado brasileiro. Quem dera se toda corporação fosse assim!”

Segundo o profissional, grandes companhias geralmente se esforçam para proteger o que já conquistaram, ao contrário de startups, “concebidas para poder derrubar tudo o que acham que já foi feito”, diz. “Esta diferença é muito importante porque esse destrave é cultural. E cultura não é uma coisa que muda de uma hora para outra: demanda tempo e esforço.”

O passo-a-passo

“Vou colocar meu chapéu de startupeiro e começar a falar deste lado do balcão, ou seja, para quem está interessado em começar a negociar com grandes empresas”, brinca Rodolfo, focando em questões mais práticas e listando perguntas que devem ser respondidas nesta jornada. Segundo ele, existem dois grandes grupos de questões:

1 – Por que?

Como startupeiro, qual é a sua motivação para querer entrar em contato com uma grande empresa? Dentro deste tema, Rodolfo destrincha as possíveis respostas:

  • Validação de produto e de modelo de negócios

Startup é uma jornada constante de validação. Por isso, esta é uma possibilidade de motivação de um empreendedor quando faz negócios com uma corporação: “você pode querer verificar se a sua proposta, de fato, entrega valor para alguém ou não. Ou seja, isso funciona? No âmbito de uma grande instituição, gera valor para alguém?”

Também tenha certeza de que seu modelo de negócio, como um todo, faz sentido para esta relação. “Não é só a forma e o valor que eu cobro, mas o negócio como um todo”, diz, sobre as diferenças entre atender organizações de setores diversos, a hipótese de haver um profissional exclusivo para fazer o atendimento desta parceria e como será feita a comunicação é crucial.

  • Credibilidade do setor e reputação

“Muitas vezes, parcerias entre startups e grandes empresas podem existir por uma questão de gerar credibilidade para a entrada em um novo setor, o que é muito útil”, Rodolfo exemplifica.

  • Acesso a capital ou a conhecimento

O acesso a capital pode vir de uma relação de cliente ou fornecedor, mas também por meio de um acordo de investimento, como Venture Capital. “Mas o que muitas startups ignoram é o acesso ao conhecimento do setor que uma grande companhia  pode proporcionar. Cada setor tem sua particularidade, é impossível ter uma solução escalável que atenda a todos.”

2 – Com quem?

“Todo mundo acha que toda grande empresa tem que ser igual a Natura, por exemplo.  E seria maravilhoso se fosse, mas na prática não é”, afirma Rodolfo, esclarecendo que a grande maioria das corporações tradicionais nem sabem o que é uma startup. “Não dá para chegar para fazer um pitch como se faz aqui no InovAtiva, encher a apresentação de termos em inglês e achar que o empresário tem a obrigação de entender.”

O profissional ressalta a importância da construção de um relacionamento com as pessoas que representam a instituição  que se almeja uma aproximação. “É preciso considerar que existe uma curva de aprendizagem a ser respeitada. O empreendedor deve investir tempo, fazer reuniões e capacitar seu cliente. Senão, ele vai se frustrar no meio do caminho e vai culpar a corporação  porque não foi bem sucedido”, conclui.

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Esse conteúdo também está disponível em formato de vídeo. Assista.