Você sabe a diferença entre Mentoria e Consultoria?

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Uma startup relevante não se constrói sozinha e nem do dia para a noite. É imprescindível, quando se pensa em empreender, que o empreendedor esteja rodeado de profissionais competentes e que consiga estabelecer bons vínculos.

Dentre as conexões mais importantes que um empreendedor pode fazer, estão as mentorias e consultorias. Mas as duas às vezes se confundem – não somente por culpa do profissional que as demanda, mas muitas vezes por falta de clareza na relação entre os dois, como veremos mais para frente.

Edson Mackeenzy e Anderson Diehl, mentores do hub InovAtiva, nos ajudam a esclarecer alguns pontos sobre o assunto: quais as diferenças, qual o momento para cada uma, e boas práticas de mentores e consultores na sua jornada.

Mentoria

“O momento de procurar o mentor é desde o início da startup. Até mesmo antes de conceber o negócio é interessante começar a criar conexões com pessoas do segmento que ela quer atuar”, afirma Anderson, que aponta a participação ativa nos diversos eventos do ecossistema empreendedor como a melhor forma de entrar em contato com esses profissionais.

“É uma mentoria que eu dou hoje para um empreendedor que provoca alguma melhoria no seu negócio e, de repente, eu o encontro daqui a seis meses e vejo que teve capacidade de execução, de desenvolver a ideia e melhorar o projeto. Assim criamos laços para acontecer um investimento no futuro”, explica.

Como mentores no ecossistema, existem investidores, empresários e executivos, cada um com sua bagagem e expertise em um segmento específico. “O empreendedor precisa escolher bons mentores que estejam alinhados às suas expectativas e objetivos.”

Consultoria

“O mentor estimula a ação e inspira a execução, simplificando o processo de tomada de decisões complexas. Enquanto isso, o consultor tem o papel de conduzir a execução e parametrizar o resultado esperado”, esclarece Edson Mackeenzy.

O profissional atua nas duas vertentes. Ele explica que é comum chegar o momento em que ele se vê como responsável por executar a ação. Aí é quando ele determina com o empreendedor que ele não será mais uma figura de mentoria, mas de consultoria.

Edson define que o momento de contratar um consultor acontece antes da  contratação de um funcionário para executar esta tarefa específica. “Quando se pensa em contratar alguém para executar uma função, este é um processo de longo prazo, no mínimo de seis meses. Se a pessoa estiver muito bem, vai durar três meses para executar algo, que é o período de experiência. Por isso, antes de tomar essa decisão, contrate esta pessoa como um consultor para o seu negócio.”

Boas práticas e costumes nas relações profissionais

Independentemente se falamos de um relacionamento com um mentor ou um consultor, respeito e consideração são indispensáveis para ambos os lados. “Antes de pedir para o empreendedor me contar o que faz, eu pergunto sobre o que o inspirou a fazer aquilo. Ou seja, quais foram suas decisões, os caminhos percorridos até chegar ao ponto de tomar a decisão de executar aquele projeto”, conta Edson.

“A partir daí, eu pergunto como as pessoas resolvem essa dor hoje, sem aquela solução”, continua. O profissional acha imprescindível esta questão, porque força o empreendedor a contemplar uma perspectiva diferente do seu trabalho. “Nós precisamos nos definir não só pelo nosso trabalho mas, principalmente, pelo motivo de desempenharmos essa função. É esta a essência que eu tento encontrar antes de ouvir o projeto, em si.”

Edson também discorre sobre a importância da comunicação não violenta nessas relações. “No passado se acreditava muito que o aprendizado tinha que ser pela dor e hoje eu entendo que não é mais assim. Na verdade, ele deve ser constante, precisa de uma série de vertentes, então temos que ensinar pelo amor.” Ele aconselha mentores a não se precipitar, ouvir até o fim e substituir o “sim” e o “não” por “e se” e “por que não”.

Ambos os profissionais comentam sobre a forma como os empreendedores recebem suas críticas e sugestões. “É comum que eles sejam muito céticos em ouvir conselhos porque estão muito focados e apaixonados pela sua ideia. Geralmente, esta curva de aprendizagem acontece em cima dos próprios erros”, observa Anderson.

O mentor finaliza com uma consideração para os empreendedores: “quem te elogia te corrompe, quem te critica te faz crescer.”

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