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A inovação é o caminho para avançar no contexto da acessibilidade

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Celebrado toda terceira quinta-feira do mês de maio, o Dia Global de Conscientização sobre Acessibilidade foi definido como um momento para focar a atenção da sociedade para este tema tão importante. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% da população mundial tem alguma deficiência – proporção que vem subindo  devido ao seu envelhecimento e ao aumento das condições crônicas de saúde. Só no Brasil, 8,4% da população tem algum tipo de deficiência – o que representa 17,3 milhões de pessoas. Quase metade dessa parcela (49,4%) é de idosos.

Segundo Luis Gustavo Debiassi, CEO e fundador da Libras-se, esse público tem uma grande força de mercado mas ainda é pouco  explorado pelas empresas brasileiras. Sua startup trabalha especificamente com o deficiente auditivo – cerca de 5% da população brasileira, o equivalente a 10 milhões de pessoas, segundo o IBGE. 

“É importante incluir todo mundo na conversa”, diz o CEO. A Libras-se trabalha com a tradução de vídeos para Libras em 24h por meio de sua plataforma digital. Seus clientes, em sua maioria produtoras de vídeos institucionais, enviam o conteúdo pelo site, que é recebido pelos tradutores parceiros para que eles possam filmar a tradução remotamente, e o trabalho já volta enquadrado no vídeo original, pronto para veiculação. 

Luis Gustavo Debiassi, CEO e fundador da Libras-se

A relevância deste trabalho é explicada pelo profissional o comparando com a dublagem de filmes estrangeiros. “Assim como não é toda a população brasileira que aprecia assistir filmes legendados, a tradução para Libras é fundamental para aproximar a mensagem da pessoa que a recebe. O tradutor consegue incluir expressões faciais e entonação que o texto escrito não é capaz”, afirma. 

Importância de incluir todos nos processos de comunicação

Para o profissional, além do desafio de produzir a tradução de forma cada vez mais ágil pelas demandas do mercado, a principal questão desse segmento é a mudança cultural. “É preciso fazer com que as pessoas entendam que somos diferentes e isso é uma característica positiva. Incluir todo o público nos seus processos de comunicação é fundamental, a gente sempre precisa pensar em como o outro está recebendo a mensagem que estamos transmitindo.”

Janine Gomes, CEO e fundadora da Klumie, concorda com a afirmação de Luis e acredita que nossa sociedade está em um momento de transição, muito impulsionado pela relevância do ESG (sigla em inglês para Governança Ambiental, Social e Corporativa) no ambiente empresarial. 

“Este é o momento de tirar essa população da invisibilidade e entender que ela tem competências profissionais que podem ser exploradas”, explica. A Klumie desempenha um papel importante nesse sentido: produzir soluções de acessibilidade para a formação e colocação profissional de deficientes auditivos. 

A ideia para a startup surgiu com uma experiência da empreendedora enquanto dava aulas em curso superior de construção civil. Arquiteta e urbanista de formação, Janine teve um aluno surdo que não tinha o acesso devido ao conteúdo oferecido pela instituição de ensino e desistiu do curso. “Comecei a me informar sobre a cultura surda e vi que existe um gap muito grande da educação profissional para esse tipo de público, o que faz com que eles não sigam as carreiras que eles desejam ter e entram em uma categoria de subemprego”, explica.

Janine e Estefânia, cofundadoras da Klumie

Plataforma personalizada para surdos

Para atuar em cima deste problema, a empreendedora e sua sócia cofundadora, Estefânia Silva, criaram a plataforma adaptativa e personalizada para surdos, que oferece uma biblioteca digital inclusiva com as aulas, com os exercícios – todos com interpretação em Libras em português, jogos digitais que promovem o engajamento e um glossário interativo que conecta novos termos linguísticos. Além disso, também fazem o match entre os alunos e as empresas que procuram deficientes auditivos em seus processos seletivos. 

“Nosso propósito é reduzir o espaço entre qualificação e a procura no mercado de trabalho para esta população, aumentando o bem-estar e inclusão no ambiente de trabalho, para que ela tenha harmonia financeira, chances iguais e sucesso em suas carreiras profissionais”, finaliza a empresária.

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